"Porque o perfeito não é impecável. A perfeição está na forma como toda a imperfeição se harmoniza."

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Escolha

É o livre arbítrio...
Porque até quando você age por alienação, ainda está fazendo suas próprias escolhas.
E não é bem a alienação que faz com que você aja desse jeito.
É o comodismo. 

Escolhas. Como seria bom se soubéssemos respeitar as alheias.

"Você não pode ser gay!
Você tem que ir à igreja!
Você não pode usar brincos!
Você tem que ser "alguém" na vida!
Você não pode..."

Bem, está bom até aí. Deve ter sanado o entendimento.
E você acha que são frases dos pais? É, não deixam de ser...
Mas eu quis me referir à sociedade.

O egoísmo é realmente uma falta horripilante, degrada a essência humana, corrompe seres que passam a agir em torno de seus interesses, e somente em torno deles, ignorando honra, ignorando compaixão, ignorando vida...

Mas, são as escolhas. Vejo a preocupação. Vejo o empenho em ensinar. Vejo os erros.
As experiências são de suma importância para o aprendizado que conduz à vida.
Viva e deixe viver. Javé esqueceu de colocar isso nas placas...

Vocês estão preocupados com o que, finalmente?
Ah! As malditas aparências...

As pessoas não querem mais conhecer umas às outras. Preferem tirar conclusões pelas roupas, pelos cabelos ou pela cor. É daí que vem a minha velha história da essência...

Religiosos defendem bondade, mas até entre si brigam, deturpando seus próprios ensinamentos...
"Sede irrepreensíveis!" Cadê?
Líderes políticos apregoam melhorias e tropeçam nas ações.
Mães e pais ensinam aos filhos o que é certo, mas estão sempre mostrando o contrário.
????

Não é uma condenação a esses erros. Só estou mostrando que não adianta falar e ensinar algo que nem você sabe se está certo ou não. Não adianta condenar erros e errar. A ideia é respeitar as escolhas.

Ser gay, por exemplo. Porque seria uma escolha ruim?
Porque o apóstolo Paulo disse que era errado?
NÃO.
Porque o homem foi feito pra mulher?
NÃO.
Porque seus familiares não iriam gostar?
Sim.
Ao assumir homossexualismo, uma pessoa entra num meio estranho. É como se você visse um "carinha do reggae" numa roda de hard core. Vão criticar suas roupas. Vão criticar o seu jeito. Vão criticar sua escolha.
É pra isso que a pessoa tem que se preparar: para as ofensas e opiniões vindas dos outros.

O homossexualismo beira sempre o ridículo? NÃO!
O ridículo está nas pessoas que acreditam deter a verdade, que julgam por aparência , que colocam-se como certos, errando, às vezes, mais do que aqueles  que vivem a condenar!
Não sabem respeitar escolhas, não estão cientes das experiências das quais privam os outros, pensando estar protegendo-os. Porque trancafiar seu filho em casa é protegê-lo do mundo, lógico. E quando ele crescer não vai saber nem atravessar a rua sem te ligar.
Precisamos apanhar. Porque o medo da morte adia a vida, sendo a morte parte da vida. E cada um deve escolher as suas próprias escolhas...



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Singularidade

É esse clima...
Danifica.

Mudança.
Quando você para e se olha, não para dentro, mas para o seu eu passado, como se sente?

"Eu era tão pequenino..." - Todos fomos.
"Eu era tão inocente..." - Todos fomos.
"Eu era tão fofinho..." - É, nem todos.

E esse transitar é magnífico, pois, o que há de mais magnífico do que a vida?
E a singularidade... Todos somos diferentes. Completamente. Definitivamente.
Não há semelhanças, apenas pontos em comum. Pois até onde se é igual, se é diferente.
Cada pessoa é esplendorosamente linda nas suas particularidades, a vida é rica em detalhes, porém escassa em quem os note.

"Sim, eu te vi. Foi quando éramos. Quando você existia, pois agora ambos deixamos de existir. Somos agora o que somos, e não o que éramos; mas há muito do que éramos no que somos..."

Nos vemos em cada situação, e é muito estranho pairar sobre a visão atual de todos vocês.
Pairar sobre todos vocês, antigos meus, agora alheios.
Trazem-me lembranças de um tempo tão... "Não-eu".

E é bom olhar agora para o que eu era do que sou,
é bom saber que tive todos vocês, que foram meus assim como fui de vocês.
Sabe, é aí que me encontro pensando em como é importante. Tudo. Absolutamente.
Desde a briga ao abraço, desde a humilhação à vitória... Vocês estavam ali.
Eu estava.
Falamos de futuro e dinheiro, mulheres e festas, amores e devaneios, mas não vemos o que nos tornou o que somos hoje. Todos nós.
É o que nos une.

"Somos e sempre seremos nós em nós mesmos, em todos que fomos e que foram por nós."

Vida.

Você é um

De começo em começo, de começo em começo...
Daria uma boa música.

"O novo sempre traz medo antes de produzir fé." - Max Lucado

"E aí, foi assim. Simples e simplesmente. Todo começo marca um fim, assim como todo fim marca um começo.
Todo fim marca pessoas e acontecimentos, todo começo marca expectativas e mais deles, e o que é a vida senão um contínuo jogo fatídico, endossado por pontos de fuga que te excluem de responsabilidade?"

Não tanto pelo cronológico da coisa, mas, quer queira quer não, o novo está aí. O novo ano. A nova série. O novo emprego. O novo desemprego. E entre novos e novas, velhos e velhas, vejo por trás do caos cotidiano a beleza da harmonia da imperfeição. É tudo muito lindo. Triste, horrível, mas lindo.

"Se eu conseguisse sentir, até poderia falar, mas não consigo. Sentir.
É medo, insegurança, coragem e certeza, é uma mescla que nem eu entendo.
Sou somente mais um burguês metido à ideia forte..."

E, é isso. Eu excluo. Excluo porque não é aí que está.
Você busca essas coisas porque foi nisso que você cresceu e se acostumou;
Você joga com sentimentos e pontos de vista, e diz que o maléfico sou eu;
Você corre da sua realidade, assim como eu, a diferença é que eu admito isso;
E ambos somos animais. Não sou um burguês metido à ideia forte, minha ideia é fraca, pois está só.

"Somos o quê? Somos quem? Para quem?
Vai saber..."

E é isso que o novo vem me trazer. Mais reflexão. Sobre o que sou. Sobre o que estou fazendo.
E eu estou fazendo nada.

"A aparência é banal. Nunca serei realmente o que quero aparentar, o que tento mostrar.
Buscar satisfazer com aparências é pura tolice. Você é vários. Tudo de que precisa é saber que é só um, e conhecê-lo. O novo é um. O velho é um. Você é um."



Prazer, meu nome é...


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Andarilho

É o meu eu ríspido que incomoda...
Mas deve haver algum motivo pra ele ser ríspido, não acha?

Achar a moeda de troca ideal, saber ofertar pra ter o que receber...
E no ar e palavras pesados caem também os sentimentos que já existiram, as migalhas deles.
E na revolta e na crítica contínua, estão os restos da criatura boa... E ela ainda existe, acredite.

"O andarilho não se importa com a sua roupa. O vestir é banal, apenas regra de pudor.
Ele não anda descalço porque tem carne nos pés, e usa o que lembra alguém...
O andarilho não se importa com o seu andar. O seu andar  leva sempre ao mesmo lugar,
o andarilho anda porque tem que andar."

E assim, sendo quem sou por saber quem é o que represento e o que pretendo ser, faço meu o meu caminhar, faço minha a minha palavra e afeição, pois o que me conforta em ser quem sou é a certeza de que quem sabe quem sou eu, o sabe de verdade. E essas pessoas são escassas...

"O andarilho não se importa com comida. Ela chega, de uma maneira ou de outra.
O andarilho não se importa com olhares e desconfianças,
o que o faz é o que sabe que é, e não o que pensam saber.
O andarilho sabe que sabe, mas não sabe ao certo... Ele tem violão e canções,
e das emoções sabe que, às vezes, só precisa delas para ser.
Mas o andarilho anda demais. O andarilho não consegue mais voltar pra casa.
Não conhece as coisas do mundo, porque não anda pelo mundo..."

-Porque na muita sabedoria há muito enfado- (Salomão)

A coragem é fundamental, anda de mãos dadas com o medo. É preciso ser corajoso pra ter medo.
E esse medo cede coragem para ser quem é, o andarilho.

"O andarilho tem uma faca e uma casca. Ele anda por aí, tentando entender...
Fere com palavras e defende-se com as mesmas. O andarilho só tem um objetivo: achar um.
O andarilho é ferido e sabe que é; ele se fere pra saber como é. O andarilho sabe que, algumas vezes,
comete suicídio. O andarilho anda com uma faca e uma casca. O andarilho anda por uma faca e uma casca.
O andarilho não vive sem elas."

E ele anda, e você acompanha o seu caminhar, mesmo sem querer. Você é esse caminhar, mesmo sem querer.

"Andarilho! Volte pra casa..."





quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Linda

Por mais que seja do acaso, simples ponto fatídico numa caminhada hostil e conturbada,
ela é linda. Linda é porque é, pois foi e será fonte do prazer majestoso e duradouro;
suprindo as necessidades implícitas em existências desfalcadas, 
sendo o que é porque é, linda e linda. 
Pois é lindo o viver; são lindos os pequenos detalhes que formarão os laços vitais,
sanarão as carências vitais, serão as razões vitais. 
Porque da vida se fez o que na vida se faz, 
fez-se a vida provinda de atos e atos,
fez-se o toque, o som e o sabor, 
a sapiência gradativa que faz-se linda, 
e linda porque é vida; 
linda, porque linda é a minha vida,
a minha linda.


Está errado

É que eu senti falta, sabe...
Eu vi e senti, e foi horrível. Horrível saber que eu estava errado.
E por persistir no erro, fui transformando a mentira em verdade,
mesmo sabendo, mesmo sabendo...
Porque os duros também choram.

"Some do meu ser e faz o meu ser cotidiano. 
Arranca de mim o mundo bom.
Faz-me o bem com o mal, 
me joga no meu mundo.
Está errado?
Joga-me então no posterior, 
no que é sim, evolução, 
no que me fez hermético e fechado,
sacro e santo, cético e descrente.
No que me fez ser o mesmo.
Eu, mesmo."

Se sinto, então, o que está errado?
O tolo transitar translúcido, ou a aliteração?
O mesmo, que me faz único em um senso comum?
O que? Está errado? O quê, então? Ainda errado?
O quê?

Não está errado. O erro é fugir. Não, está errado.
O erro é querer fugir. Isso sim, está errado.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Desabafo

Expressão.

Simples, rápido e fácil.
Até o modo e o que é expresso hoje é espelho da falta de incentivo ao pensar...

Lembrem-se do mundo de antes. Nós temos exemplos de como idéias e conceitos podem ser expressados de forma marcante e decisiva, junto com um objetivo. Hoje, o objetivo é ganhar dinheiro.

"Eles venceram e o sinal está fechado para nós que somos jovens..." (Como nossos pais - Belchior)

Fechado. Definição perfeita do estado da mente da grande maioria da massa de seres viventes incapazes de querer da vida mais do que a própria vida. A razão é posta de lado, dando lugar a desejos animalescos, instintivos.

" Se a felicidade consistisse nos prazeres do corpo, diríamos felizes os bois quando encontram ervilhas para comer." (Fragmentos - Heráclito de Éfeso)

E assim é levada a vida hoje; sanando as suas necessidades, as pessoas são felizes. Mas, que necessidades deveriam ter uma real importância?


-TILT-


É isso que acontece quando chega a hora de levar os pensamentos a um patamar mais profundo. A preguiça de pensar me enoja, a acomodação do ser humano me revolta.

Quanto à expressão de idéias, tenho me decepcionado bastante com o que vejo ao meu redor ultimamente, pois amor, revolta, vitória, alegria, enfim, sentimentos e emoções, são colocados em versos de músicas de uma maneira inventada, e além disso, em aventuras libidinosas e chulas, os cantores moldam suas músicas, ou seja, moldam a arte de acordo com um instinto animal.

Não se fala de amor como antigamente. Por favor, olhem as bandas de forró de antigamente. O amor era explanado de uma maneira bem colocada, construída, pensada. Hoje, as aventuras amorosas adolescentes são jogadas num pedaço de papel e igualmente misturadas numa melodia que só precisa estar em harmonia...

"Meus heróis morreram de overdose..." (Ideologia - Cazuza)

Detalhes, pessoas, detalhes. Preocupação com a arte, isso que falta.

Até a arte é abafada pela acomodação. Hoje não importa o que é bom, e sim o que vai vender, e isso está... Errado. A arte é puro negócio, foge à essência. Mas a essência não rende tanto, não é mesmo?

No nada nasci, no nada me criei... E eu já estou de saco cheio de estar no meio de nada.



domingo, 6 de novembro de 2011

Paradoxo

Às vezes sou cheio e vazio,
outras, vazio e cheio.
Cheio do que me faz vazio
posso voltar ao que fui:
cheio do que me faz vazio,
vazio do que me faz cheio.

Quando cheio estou do que me faz vazio,
sou vazio por encher a ilusão.
Sou cheio do eu primitivo,
cheio do eu repugnante.
Sou cheio de vazio,
cheio e vazio,
só e vazio.

Quando vazio estou do que me faz cheio,
sou cheio por ser grande.
Sou cheio da grande
sensatez repugnante.
Sou vazio de escárnio,
cheio e vazio,
só.

Às vezes sou cheio e vazio,
outras vazio e cheio.
Cheio que nunca é vazio,
por ser vazio como já fui:
Cheio do que me faz vazio,
vazio do que me faz cheio,
fadado ao vazio do seio
cheio do vazio só e sombrio.