"Porque o perfeito não é impecável. A perfeição está na forma como toda a imperfeição se harmoniza."

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domingo, 6 de novembro de 2011

Paradoxo

Às vezes sou cheio e vazio,
outras, vazio e cheio.
Cheio do que me faz vazio
posso voltar ao que fui:
cheio do que me faz vazio,
vazio do que me faz cheio.

Quando cheio estou do que me faz vazio,
sou vazio por encher a ilusão.
Sou cheio do eu primitivo,
cheio do eu repugnante.
Sou cheio de vazio,
cheio e vazio,
só e vazio.

Quando vazio estou do que me faz cheio,
sou cheio por ser grande.
Sou cheio da grande
sensatez repugnante.
Sou vazio de escárnio,
cheio e vazio,
só.

Às vezes sou cheio e vazio,
outras vazio e cheio.
Cheio que nunca é vazio,
por ser vazio como já fui:
Cheio do que me faz vazio,
vazio do que me faz cheio,
fadado ao vazio do seio
cheio do vazio só e sombrio.



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Só posso ser o que querem que eu seja.

"A prudência e o falso pudor dominam
                       toda a máquina."

                                        "Soa como verdade , mas você sabe que
                                      o verde é bem mais claro..."

"Ah! Se o céu azul pudesse
ser mais do que um detalhe na
minha caminhada cotidiana, se o
luar pudesse me servir de acordo
com meus anseios...
Entretanto, eu ainda sou
ninguém..."

                                                  "E por que você acha que eu preciso disso?
                                                   E por que enjaular as feras que são o meu
                                                   normal? A prudência é espelhada no que é
                                                   mais conveniente pra você, e isso só aumenta
                                                   a sua bagagem de mentiras, faz você ser
                                                   quem é."

   "Quando o fardo se tornou suave
       a dor aumentou, tornando-o
         insuportável."

"Eu quero explodir só por ver o potencial efeito dessa bomba
relógio que é tão óbvia e ignorada, pelo simples fato de
as pessoas permanecerem preocupadas com algo banal, por
esquecerem dos valores, por não se permitirem abrir os olhos,
por pura preguiça de pensar. A força da influência é muito
grande, é quase impossível fugir do modo de vida imposto, e
eu sofro com isso.
  Em essência, ninguém é aquilo que deveria ser. Somos
o espelho da evolução da banalidade."

"Todos os seus sonhos não são seus. Nada do que você quer é real.
No fim, quando chegar ao pote de ouro,
olhe para os lados.
Tudo vai estar
vazio."

"As pessoas esquecem que podem raciocinar,
esquecem que são pessoas.
E as pessoas sabem que essa é a situação perfeita."


domingo, 23 de outubro de 2011

"Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só..." (Inverno - Adriana Calcanhoto)

E parece um lamento "emo" de solidão, uma modinha, uma frescura qualquer... Mas não, infelizmente é a realidade.

"E então eu vi isso. Vi que o meu eu era tão meu e tão forte que era só. Sozinho. E só e somente se só estiver só ele existe."

É quase como a triste história do sal: no nada nasci, no nada me criei, se me jogarem no nada, no nada morrerei...
E é no meio desse nada que eu procuro o meu mundo, procuro ser só. Pois nessa realidade eu sou forasteiro.
Não convivo com seres humanos. O homem ainda tem a cara-de-pau de vangloriar-se por ser humano, um ser racional, culto, diferente dos outros animais. Como é isso aí?
Esse tipo de ser é pior do que qualquer outro, pois se partindo de uma linha racional o homem faz tanta merda, quer dizer que a vantagem é desvantagem, o pensar é ignorado.
O homem não é diferente dos demais animais, muito pelo contrário. Enquanto o pássaro tem asas, o tigre força , o veado rapidez e a cobra tem veneno, o homem tem o cérebro. Hoje o cérebro não é mais usado como diferenciação no âmbito racional do ser, e sim como a arma que o homem tem. Não são seres humanos esses idiotas que derrubam tudo para conseguir vencer, ou os que tramam mil e uma armadilhas para chegar a objetivos. Esses são animais. Os mais perigosos.
                                                                                                A
                                                                                                  N
                                                                                                     I
                                                                                                      M
                                                                                                         A
                                                                                                            I
                                                                                                             S
                                                                                                               .
                                                                                                                .
                                                                                                                 .
Exatamente nesse sentido. Caindo e levando o mundo junto.

"E por essas e outras é que eu fico só. Antes só do que desse jeito acompanhado."

Corram, criaturas infames, rumo a essa felicidade efêmera, doentia, algo que já é quase intrínseco no seu ser nojento.
Corram, criaturas infames, resgatem o que de humano ainda pode existir em vocês, reexistam, regressem, recriem-se.
Corram, criaturas infames... Pois não sou a melhor criatura do mundo, mas estou longe de ser seco e selvagem assim.

"Posso ser insípido e só, excêntrico e só, tardio e só. Posso ser esse demente reclamão, autêntico faz-nada do mundo atual. Acontece que esse faz-nada é o que vocês não fazem, é o pensar, é o querer formar os conceitos e os valores que são irrompidos como faíscas, que saltam a cada palavra minha, no ardor e no sofrimento de querer ser humano."

E só fui ver que não estava só quando quis estar só e não consegui...


sábado, 17 de setembro de 2011

É só viver, nada mais que isso.

Constituí, acerca de todas as coisas que te parecem banais...
Eu vivi, porque o viver parece não importar tanto...

"E lá estava eu. Era perfeito, tudo se encaixava de modo satisfatório, pois eu estava... Vivendo!"

E tudo passou a ser diferente... De repente, tudo, absolutamente, passou a representar um pequeno detalhe na imensa vastidão do que é o viver, do que é viver. Por favor, não ignore os detalhes. São eles que regam com perfeição a sua vida.

"Porque o perfeito não é impecável. A perfeição está na forma como toda a imperfeição se harmoniza."

"E por que tanta dor, Deus meu? Por qual motivo o Senhor permite que se passe tanta dor, tantos momentos pesarosos?"

E por que a dor seria assim, tão nociva? A dor constrói, ao passo que destrói, alegra ao passo que entristece, transforma ao passo que deforma, enriquece enquanto é dor...
É, a dor é nociva... Porque o fácil é aprazível, o difícil, repugnante.

"Militei fora do âmbito normal. Passei por fendas, cavernas, buracos, cortei a densa bruma e inspirei o ar úmido de uma madrugada inacabável, eterna, imortal. Defendi os meus propósitos na alva da dor..."

Cada um dos meus passos requer nem que seja uma pequena parcela de dor, para que assim possam ser meus passos, para que cumpram seu papel de moldar meu caminho. Fugir da dor, além de ser insano e imaturo, é um ato que se configura inútil, já que o ser humano nasce na dor, vive na dor e parte na dor. Correr da dor é correr da vida, aceitar a dor é viver.

E tenho dito.

sábado, 6 de agosto de 2011

Só por tentar saber se é minha...

Corre lenta, sina minha, corre.
Lenta. Quase para. Para quem?
Para mim, sina minha, eu diria.
Mas não. Minha sina não é minha.
E só por tentar saber se é minha essa sina,
faço minha a minha sina.

E como saber qual é a minha sina?
E como correr de ti, sina minha?
Pelo opróbrio do meu ser eu sou sábio solitário.
Não corro de ti, sina minha, antes, da minha sina correrei.
Por ser o dono do meu eu, sou sábio solitário.
Só por tentar saber se é minha essa minha sina.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sabe, era assim...

Só para constar... 

É protecionismo ou moda? Nem sei... Só sei que virou isso aí.
O mundo ficou perigoso demais, e a saída foi inventar outro mundo.

Jogar bola era uma ótima alternativa. Os meninos brigavam, brincavam. 
Sujavam toda a roupa e deixavam suas mães loucas.
Existiam grupos distintos: meninas e meninos. Havia disputa por meninas e por meninos.
Havia disputa entre meninas e meninos.
Era um ótimo jeito de começar, de lançar a mente em formação num espaço de aprendizado mútuo. Importante.
A escola era a continuação. Era ótimo. Na verdade, a escola estava fora da escola.

Então, se aprendia de tudo...
Cair, levantar. 
Chorar, apanhar.
Correr, arriscar.
Chorar, apanhar.
Sorrir, realizar.
Chorar e apanhar.

Sabe, era assim... Mas, o que nós temos agora?
Vamos lá, analisemos.

Em parte culpa da violência, em parte culpa dos pais. As crianças estão ficando extremamente... Aluadas.
Como não podem sair de casa e viver, montam uma vida em cima de jogos eletrônicos. E a palavra vida não é um exagero. 
Quando não, passam a maior parte do tempo em sites de relacionamento, bate-papo e redes sociais.
Então, toda a experiência não vai passar da tela do computador.
Elas não vão cair. Não vão analisar feições, sentir a luz do sol, ouvir o grito da vizinha furiosa. 
Vão sentir dor de cabeça, analisar a fonte dos textos e ouvir os barulhinhos dos winks?

É complicado. Mas a fantasia é uma saída quando não se tem vida.
Como conseguir moldar o senso crítico de um cidadão que não "vive"?
Existe um curso de "vida" disponível em pdf?

Pois é, só me resta lamentar...

domingo, 10 de julho de 2011

Menininha


"Será que você vai saber o quanto penso em você com o meu coração?" (Vamos fazer um filme - Legião Urbana)

Nós só deixamos a vida seguir, não é mesmo?

O incrível...
  ... resultado das...
     .... escolhas!

Ai, ai... Quanta melancolia. Nós sabemos muito bem o que escolhemos, para que escolhemos.
E nós escolhemos assim...

Você acha mesmo que eu não consigo enxergar nesses seus olhos expressivos, o que de real salta nas suas brincadeiras? Ou acha que eu sou tão imbecil a ponto de não saber o que você quer?
O mais interessante nisso tudo, é que eu sempre quis o mesmo que você, menina.
Entretanto, você sabe bem como eu sou meio louco. Ao invés de fazer disso uma bela história pra nós dois, transformo num jogo pra mim....

E quanto tempo nós desperdiçamos... Será que ainda estamos a desperdiçar tempo?
Sinceramente, acho que ainda vamos nos arrepender...
Eu, de ter brincado e fechado as passagens com jogos.
Você, de não ter sido direta quando deveria.

Sabe menina, eu amo você. Posso dizer isso sem medo.
Porque eu te conheço, e mesmo sabendo das coisas que você já fez, continuo a ter um apreço enorme por ti...

"Menininha do meu coração, eu só quero você a três palmos do chão..." (Valsa para uma menininha - Toquinho)

"Eu só olhava pra você. Era mais forte do que eu.
Eu me prendi, você me prendeu.
Nunca soube enxergar isso. Nunca quis enxergar isso.
Olhe só pra nós dois. Olhe o que a vida fez.
Eu te amo, menina, você sabe.
Deixe-me saber também."

Somos de verdade. Fora dos sonhos e aspirações óbvias, somos reais. Temos medos, insegurança. Eu nunca vou te culpar, linda. Muito menos a mim.  Só quero que não saia da minha vida, não deixe de ser a minha menina, aquela que vai me procurar na hora da dificuldade, que vai me mostrar o que sempre poderia ter sido... Nós.

sábado, 9 de julho de 2011

Impertinente


Porque tudo está moldado em conceitos torpes.
Pelo menos, é o que eu acho...

                      "Até onde você iria por outra pessoa?"
                                 "O que você faria por ela?"
                "Quanto de você sacrificaria?"

Nada se faz por essência. Eu procuro incessantemente. Eu sacrifico amizades. Eu perco pessoas por querer encontrar a essência.

Não é que eu não ligue. Simplesmente, lamento. Lamento muito.
Mas o que eu posso fazer? Eu tenho um objetivo.

Vou continuar apostando.
 Vou continuar perdendo.
  Vou continuar cogitando.
   Até que eu encontre.

Vou continuar sozinho.